Quem somos Visão Celebrações Células Ministérios Missões Festas Calendário Contactos
> Mensagens
 
 
 

 

Tabernáculos - A revelação do Messias

A “Festa dos Tabernáculos”, “Festa das Cabanas” ou “Sucot” encerra o ano agrícola e foi ordenada para lembrar a passagem pelo deserto. Durante os sete dias de festa o povo constrói cabanas cobertas com folhas de palmeira e dentro delas tomam as suas refeições enquanto lembram e compartilham a forma miraculosa como Deus os sustentou durante os 40 anos de deserto.

A Festa dos Tabernáculos é também uma festa profética, de alegria e esperança na revelação do Messias. O Evangelho de João começa com esta revelação extraordinária: "E o verbo se fez carne, e habitou entre nós" (João 1:14) - a palavra no original “habitou”, na verdade quer dizer "tabernaculou" entre nós. Os capítulos 7 a 10 do evangelho de João apresentam os episódios mais relevantes da última participação de Jesus na festa dos Tabernáculos.

Vários estudiosos são unânimes em afirmar que Jesus nasceu durante a Festa dos Tabernáculos em cumprimento das profecias e expectativas das escolas teológicas judaicas.

Alguns pormenores simples:

  • Lucas 2:8 "pastores... guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite", portanto era verão;
  • Lucas 1:5 a partir da concepção de João Baptista, que após o cumprimento do turno do seu pai Zacarias no Templo (Abias - I Cr 24:10), foi para casa todo animado pela profecia do anjo, e passando pela referência de que aos seis meses da gravidez de Isabel Jesus foi anunciado, o nascimento do Messias recai precisamente durante a Festa dos Tabernáculos;
  • Havia um recenseamento em toda a Judeia – que por oportunismo Herodes aproveitou a deslocação em massa do povo que subia a Jerusalém para a festa dos Tabernáculos. (Belém é terra natal dos antepassados de José e dista 8 Km de Jerusalém).

Ainda hoje os judeus, durante a festa dos tabernáculos correm para Jerusalém, na esperança da revelação do Messias. A nós compete-nos também dar cumprimento ao que está escrito a respeito destes dias, celebrando pelas ruas de Jerusalém, durante a festa, o Messias que já veio: “Então todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém, subirão de ano em ano para adorarem o Rei, o Senhor dos exércitos, e para celebrarem a festa dos tabernáculos.” Zacarias 14:16

I. Cerimónia.

Todas as manhãs durante a festa dos tabernáculos, os sacerdotes faziam soar as trombetas, de modo longo e penetrante, aos primeiros raios do sol. O povo despertava e preparava-se para mais um dia de festa com exclamações de alegria e júbilo.

Depois, os sacerdotes desciam ao tanque de "Siloé", levando consigo um frasco de ouro para enchê-lo de água, e retornavam ao templo, ao som das trombetas, de forma cadenciada e pausada. A cerimónia mais marcante era intitulada "O Regozijo no Local da Retirada da Água".

a) Oferta de libações.

Uma “libação” é uma oferta a Deus através do derrame de água ou vinho na terra ou num altar.

O sacerdote responsável pelo serviço do dia subia então a rampa do altar de bronze e derramava a água do frasco de ouro sobre uma bacia de prata, e vinho sobre uma segunda bacia. Na sequência, de forma simultânea, derramava o conteúdo de ambas as bacias sobre o altar e todos os presentes irrompiam em júbilo exclamando: "Eis que o Senhor Deus é a minha força e o meu cântico.... Vós com alegria tirareis águas das fontes da salvação" Isaías 12:2-3.

  • O vinho lembra a comunhão após o perdão dos pecados, como resultado do sacrifício. A água lembra a pureza, a Salvação (Messias!) e os pecados removidos.
  • O oferta de vinho era também uma demonstração de gratidão pela colheita e a oferta de água uma petição por novas chuvas que permitiriam um novo ano de colheitas.

Na tradição judaica, esta cerimónia comemorava a "Rocha" da qual brotou "água viva" e que acompanhou os israelitas durante a sua peregrinação no deserto. A Rocha lembrava a provisão, a Salvação, e o Messias, claro. 

Jesus, como se sabe, estava nesta festa. Ali estava a Rocha e a provisão em pessoa. Jesus era a Rocha, o Messias, a Água com a a qual eles se regozijavam. João 7:37,38 “Ora, no seu último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva.”

Esta ousadia, claro, provoca o diálogo entre os presentes e também a confusão: Então o Messias não vem de Belém? Como é que pode ser da Galileia? Ora, como se sabe Jesus tinha nascido em Belém porém morava na Galileia, em Cafarnaum.

b) Ramos e frutos da terra.

Após o sacrifício e de ter entoado o Halel (uma colecção dos Salmos), os sacerdotes, segurando os ramos e frutos da terra prescritos em Levítico 23, rodeavam o altar de bronze, o qual estava adornado com ramos frescos de salgueiro, e recitavam as palavras do Salmo 118:25: "Oh! Salva-nos, Senhor, nós Te pedimos!"

2. A revelação do Messias.

a) “Eu sou a luz do mundo”.

A segunda cerimónia mais marcante da festa ocorria de noite. Quatro grandes candelabros de sete braços, contendo no topo de cada braço vários litros de óleo e pavios feitos de vestes sacerdotais desgastadas, iluminavam toda a área do templo e a cidade de Jerusalém. Um orquestra tocando flautas, harpas, címbalos e tambores, acompanhava uma procissão de tochas, na qual havia danças e grande regozijo entre os peregrinos. Enquanto isto, o coral de Levitas, posicionado nas escadarias internas do templo, entoava os "Salmos de Ascensão" (Salmos 120-134). Estas cerimónias nocturnas eram momentos de grande alegria e marcavam profundamente o espírito da festa. 

Jesus aproveitou todos os momentos para deixar bem claro a sua missão não deixando por isso escapar nenhum pormenor profético.

É então que faz uma das suas pregações mais ousadas, provavelmente assim que se acenderam os candelabros gigantes que rodeavam o templo: “Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará em trevas mas terá a luz da vida”. João 8:12

b) A cura de um cego.

No capítulo 9 de João, Jesus cura um cego de nascença e cumpre um dos três milagres messiânicos, como demonstração de que Ele é a luz do mundo (v.5). Jesus aplica ao cego lama nos olhos e depois ordena-lhe que os lave no tanque de "Siloé", local de onde era retirada a "água viva" a cada manhã da festa. Desta forma Jesus passa a mensagem de que valoriza aquela cerimónia de "Regozijo e Purificação" mas faz ainda mais: manda lá o cego ao tanque Siloé (que significa enviado) para demonstrar claramente que o Messias, o Enviado, havia chegado!

c) “Eu sou a Porta”.

Em João 10, Jesus apresenta-se como o "Bom Pastor" e como a "Porta" através da qual se entra para a salvação, numa alusão directa ao Salmo 118:20 "esta é a porta do Senhor, por ela entrarão os justos", o principal salmo que era entoado ao longo da festa.

João 10:7,9 “Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas. Eu sou a porta; se alguém entrar por mim será salvo...”

Jesus fez mais uma alusão ousada e perigosa para a sua integridade física. Jesus estava a fazer-se substituir pela porta que dava acesso ao pátio do templo por onde o povo entrava com os animais vivos para serem sacrificados, para conseguir assim o perdão dos seus pecados. Agora, Jesus estava literalmente a dizer que enquanto os judeus entravam pela porta para conseguir perdão de pecados, Ele, Jesus, oferecia mais do que isso: oferecia Salvação.

Em resumo, durante a Festa dos Tabernáculos, Jesus disse que Ele era a Água da Rocha, a Luz do mundo e a Porta da Salvação. A Festa, é a festa da "habitação" e não é que Jesus revelou-se lá mesmo?

N’Ele estavam cumpridas todas as expectativas que aquela festa lhes trazia. Ele era aquele que eles esperavam revelar-se.

SD2006